Partir

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E o silêncio se fez gritante no coração pulsante

o término não pode ser rasgante

nas entranhas de um novo parir.

Partir

Partir de andar

Não partir de quebrar

porém se quebra o andar que parte

rumo ao novo

sem medo

mágoas precisam se extinguir

e deixar fluir

novos perfumes

novos andares

novos sabores

para mim e para ti.

@negalaize

 

Chorume

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– Ah, as mulheres brancas, falam em feminismos, mas nem se dão conta como gostam de atropelar o processo proposto pelas pretas.(Postado no Facebok por Lnegalaize)

Audrey Lorde e Lélia Gonzalez, colocam bem esta minha frase desabafo. Tenho pensado que nosso discurso de mulheres negras no movimento feminista parece ser sempre o mesmo; porque os comportamentos das feministas brancas, por mais que algumas tentem se solidarizar, entenderem, acabam que continuam com as mesmas práticas, ou seja, atropelar as negras com falas que sempre querem dizer que estamos de mimimi ou que somos treteiras e sempre tentam nos colocar em nossos lugares, a senzala do movimento.

…Na medida em que nós negras e negros estamos na lata do lixo da sociedade brasileira, pois assim determina a logica da dominação…o risco que assumimos aqui é o do ato de falar com todas as implicações. Exatamente porque temos sido faladas, infantilizadas…que neste trabalho assumimos nossa própria fala. Ou seja, o lixo vai falar, e numa boa. ¹

Sim, porque é a senzala do movimento, onde temos que ficar concordando com absurdos estudados nas academias em sua maioria com teóricas seculares também brancas, algumas distorcidas nas suas leituras, outras em suas escritas, mas não tão mais verdadeiras no que eram suas realidades, assim, como é a realidade destas agora. O dito feminismo não nos pertence enquanto mulheres negras, nossa forma de coletividade é diferente do que chamam de sororidade no feminismo, nosso jeito é Ubuntu, este também hoje distorcido pela colonização no nosso processo de agir e pensar das mulheres negras.

.É uma arrogância acadêmica particular supor qualquer discussão sobre teoria feminista sem examinar nossas muitas diferenças, e sem uma contribuição significante das mulheres pobres, negras e do terceiro mundo, e lésbicas. E, ainda assim, estou aqui como uma feminista negra e lésbica, tendo sido convidada a comentar no único painel nesta conferência no qual dados sobre feministas negras e lésbicas são representados. O que isto diz sobre a visão desta conferência é triste, num país onde racismo, sexismo e homofobia são inseparáveis. Ler esta programação é presumir que mulheres lésbicas e negras não têm nada a dizer sobre existencialismo, o erótico, a cultura e o silêncio das mulheres, o desenvolvimento da teoria feminista, ou heterossexualidade e poder. E o que significa em termos do pessoal e do político quando mesmo as duas mulheres negras que estão aqui presentes foram literalmente encontradas na última hora? O que significa quando as ferramentas de um patriarcado racista são usadas para examinar os frutos do mesmo patriarcado? Significa que apenas os perímetros mais estreitos de mudança são possíveis e admissíveis.²

Geralmente, quando uma mulher negra contesta demais um grupo misto esta é chamada de treteira e muitas negras se calam para não perderem o “respeito” se sujeitando a aceitar aquilo que ela propos anteriormente ou uma irmã propôs, ser absorvido por uma mulher branca que sempre tem que ser a lider, apresentar com palavras diferenciadas e ações voltadas mais para a exploração científica na nossa comunidade, do que foi realmente proposto pela mulher negra, que nada mais é: Olhem continuamos na senzala inclusive no movimento feminista, seja ele de qual vertente for, vamos juntas buscar compreender melhor que nós mulheres negras temos diferenças de Cultura, Classe e que o racismo todos os dias nos mata, vamos juntas tentar nos despir destas peles e nos ver como mulheres que necessitam estar juntas e fortes contra o racismo e rompermos com a ideologia do branqueamento que:

…reproduz e perpetua a crença de que as classificações eos valores da cultura ocidental branca são os únicos verdadeiros e universais.Uma vez estabelecido, o mito da superioridade branca comprova sua eficácia pelos efeitos de estilhaçamento, de fragmentação da identidade étnica por ele produzidos;o desejo de embranquecer (de “limpar o sangue”, como se diz no Brasil)é internalizado com a negação da própria raça e cultura.³

Nos dias de hoje o próprio movimento negro está despedaçado e as mulheres negras ativistas fragmentadas, buscando uma agenda em comum, porém ainda não conseguem se desprender dos egos estabelecidos de empoderamento seguido do modelo feminista euro centrada, onde muitas ativistas sentem-se banidas de qualquer aconchego para expressarem suas lutas e formas de lutar e de sobreviver, seja na academia, seja nas favelas. Este é um debate interno do movimento de mulheres negras que precisa ser restabelecido, repactuado e principalmente, reinventado.

Quando surgem novas pensadoras feministas brancas, sai uma debandada de mulheres brancas tentando nos convencer que esta é a deusa, esta é a liderança que nos trará redenção por ter interpretado em seus estudos e observações, que é preciso mais união das mulheres num todo como forme de proteção á esta sociedade baseada no machismo e sexismo, as diversidades de gênero, raça e classe, são bem vinda, mas é outro papo. Apenas tolera-se os “lixos treteiros”.Por isto que:

Promover a mera tolerância de diferença entre mulheres é o reformismo mais nojento. É uma total negação da função criativa da diferença em nossas vidas. A diferença não deve ser meramente tolerada, mas vista como um fundo de polaridades necessárias entre as quais nossa criatividade pode faiscar como uma dialética. Apenas então a necessidade de interdependência se torna não ameaçadora. Apenas dentro dessa interdependência de forças diferentes, reconhecidas e iguais, o poder de procurar novos meios de ser no mundo pode gerar, assim como a coragem e o sustento para agir onde não existem alvarás.4

Assim parafraseando Fernanda Carneiro “Nossos passos vem de longe…”, muito já se falou, muito se fala, há muito se tenta dialogar sobre estas diferenças entre mulheres negras e mulheres brancas devem ter seus espaços de luta, mas também que este espaço possa ser convergido numa luta só, mas não avançamos, pois a solidariedade no movimento pára quando as mulheres negras tomam a frente do debate, faz-se o silêncio, buscam-se acordos nos olhares para cala-la, transformam sua fala em meras palavras rasas e desconstituem toda sua dialética, colocando-ano seu lugar, baixando sua estima e dando o famoso “tapinha nas costas”, hoje em sua maioria, um financiamento para sua ONG ou coletivo e assim, seguimos, vivendo das esmolas das grandes financiadoras, geridas ou por machos brancos ou mulheres brancas. Donativos aceitos, porque se não, não se faz o contraponto, não se come, não se compram os livros para contextualizar o próprio livro destas mesmas mulheres brancas que doam suas migalhas;o ciclo perpetua.

Há muito tenho buscado enquanto mulher, negra e lésbica romper com esta lógica, já que como “louca” nunca tive muita voz nestes espaços, a não ser quando a mesma fosse elevada, o que me f10494658_928368107186656_7068189451633996077_neria muito, pois cada vez mais me perpetuava no imaginário coletivo, como louca e quase acreditando nisto. Romper com esta lógica dói, porque faz a gente se desprender de nossos egos, de nossa vontade de atuar por um mundo sem racismo, machismo, homolesbitransfobia, mas também, nos trás suavidade e maturidade para reaprender que podemos viver sem tudo isto, que o mais importante é mantermos nossa ética e nosso processo de libertação, sem estarmos subjugadas a ninguém, a não ser a nós mesmas e que nosso pão vem sempre com a força de nossa criatividade e da herança que nossas ancestrais nos deixaram, este legado é nosso e ninguém nos tira e podemos passá-los adiante a quem quiser escutar, dialogar, sem nos submeter a sermos pisoteadas em nosso âmago em movimentos feministas que nos matam diariamente por sufocar nossa voz, por terem em seu DNA, a colonização.

Aquelas de nós que estão fora do círculo da definição desta sociedade de mulheres aceitáveis, aquelas de nós que foram forjadas no calvário da diferença — aquelas de nós que são pobres, que são lésbicas, que são negras, que são mais velhas — sabem que sobrevivência não é uma habilidade acadêmica. É aprender como estar sozinha, impopular e às vezes injuriada, e como criar causa comum com aquelas outras que se identificam como fora das estruturas a fim de definir e buscar um mundo no qual todas nós possamos florescer. É aprender como pegar nossas diferenças e transformá-las em forças. Pois as ferramentas do mestre não irão desmantelar a casa do mestre. Elas podem nos permitir temporariamente a ganhar dele em seu jogo, mas elas nunca vão nos possibilitar a causar mudança genuína. E este fato é somente ameaçador àquelas mulheres que ainda definem a casa do mestre como a única fonte de apoio delas.5

Romper não é estar desatenta, não é que  perdermos a esperança, não é não tentarmos diariamente um diálogo e principalmente não sermos solidárias em nossas diferenças;romper é estar presente em todas as lutas contra a opressão, é buscarmos nos respeitar diuturnamente, é provocarmos a dialética, mas sem aceitar gritos ou argumentos que ficam dizendo que sempre fazemos discursos vitimistas. Não, não são discursos vitimistas, são sim, discursos seculares deste a colonização, pois para nós mulheres negras, foram poucos os avanços, algumas tiveram avanços sociais, porém não deixam de ser negras, na hora do parto, no emprego, nas universidades, na blitz, no restaurante, nas mesas acadêmicas, no metro, no avião. Continuamos mulheres negras, sofrendo triplamente, por sermos mulheres, negras, pobres e quando nos assumimos lésbicas, temos que nos defrontar com uma luta árdua para que nossa voz seja respeitada também pelas brancas lésbicas feministas que na real estão a procura mesmo que inconsciente de uma negrinha boa de cama. Não. Não defendo o amor afrocentrado, até porque acredito que o mesmo seja livre destas segmentações todas, mas é importante se conseguirmos afrocentrar nossos sentimentos, se não, paciência, lá vamos nós em nossas vidas particulares trocar nossas culturas, porque até nas relações amorosas inter-raciais temos que dizer, escuta amor, somos diferentes…Não to gritando em nossa DR, é que falo auto, gesticulo muito, somos assim. Gostamos de estudar com o som auto, tomamos uma caipirinha no meio da dissertação e sim, meu cabelo vai ficar crespo ou dredado e vou usar esta calcinha furada porque é confortável. Beijos. Trocaremos, ok! Mas não peça para que meu debate feminista seja igual ao teu em alguma reunião;peraí, meu amor!

Esta é uma ferramenta antiga e primária de todos os opressores para manter pessoas oprimidas ocupadas com as preocupações do mestre. Agora nós ouvimos que é tarefa de mulheres negras educarem mulheres brancas — em face de tremenda resistência — sobre nossa existência, nossas diferenças, nossos papéis relativos em nossa sobrevivência conjunta. Isto é um desvio de energias e uma repetição trágica de pensamento racista e patriarcal.6

Portanto, feministas brancas e negras jabuticabas é preciso nos respeitar nas diferenças, é preciso repensar nas mulheres que não se calam por que vocês acreditam em deusas policêntricas feministas, é preciso respeitar  e principalmente olhar as companheiras de gênero com um olhar de mulher, sim, porque só porque sou feministas ou lésbica feminista, não poderei olhar uma mulher com o olhar de mulher? Porque acredito que somos diferentes em nossa forma de aconchego, porém, muitas perderam este jeito de acolher e se deixar ser acolhida sem medo do tapete lhe ser puxado e esta prática masculinizada de fazer movimento também as fragmentou, as endureceu e sei que muitas vão fazer ativismo preocupadas como irão retornar para suas casas, sem dinheiro do passe, sem grana pro gás, sem grana pro caderno dos filhos e do aluguel, algumas mais abastadas, mas preocupadas com outras contas e de manter o padrão de vida até ali conquistados.mas é,

na cotidianidade de nossos falares, gestos, movimentos e modos de ser que atuam de tal maneira que deles nem temos consciência.7

Finalizando este meu pensamento. Temos ainda muito que avançar nesta pauta do respeito ás diferenças na luta por um mundo justo e igualitário. Sofremos da síndrome da fragmentação imposta pelo capitalismo e

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vamos seguindo lutando pela mesma causa, mas com discursos diferenciados e atitudes desconexas com nós mesmas, tornando esta luta contra o machismo, o sexismo, o racismo e todas as violências correlatas mais doloridas ainda, não conseguimos cicatrizar nossas feridas, a batalha é longa e sofrida, mas não está vencida, não podemos nos deixar vencer, assim como não podemos aceitar enquanto mulheres negras que nos calem, que as feministas brancas não se culpem, mas repensem como nos tratam no movimento…Cabe a cada uma de nós transformar o caminho, cabe a cada uma de nós,manter o respeito, cabe no movimento feminista o chorume soltar a voz, pensar, organizar e mostrar que cabe a todas nós restabelecermos o lugar da mulher negra no movimento feminista, mesmo que esta palavra não nos pertença, mas a luta sim!

RESPEITEM AS MULHERES NEGRAS, SEJAM DE ONDE E ONDE ELAS ESTIVEREM!

Lnegalaize

Jornalista,WebDesigner, Artista Visual

Blogueira.

Bibliografia

1- Gonzalez, Lélia (Racismo e sexismo na cultura brasileira – ANPOCS- 1980)

2- Lorde, Audre (Conferência realizada em 1979 –publicada:

(http://arquivo.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/180-artigos-de-genero/19778-mulheres-negras-as-ferramentas-do-mestre-nunca-irao-desmantelar-a-casa-do-mestre?fb_comment_id=fbc_144656479070889_118922_144665202403350)

3- Gonzalez, Lélia ( Por um feminismo afroatinoamericano,mimeo,1988.p.7)

4 – Lorde, Audre (Conferência realizada em 1979 – publicada: (http://arquivo.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/180-artigos-de-genero/19778-mulheres-negras-as-ferramentas-do-mestre-nunca-irao-desmantelar-a-casa-do-mestre?fb_comment_id=fbc_144656479070889_118922_144665202403350)

5 – Lorde, Audre (Conferência realizada em 1979 – publicada: (http://arquivo.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/180-artigos-de-genero/19778-mulheres-negras-as-ferramentas-do-mestre-nunca-irao-desmantelar-a-casa-do-mestre?fb_comment_id=fbc_144656479070889_118922_144665202403350)

6- Lorde, Audre (Conferência realizada em 1979 – publicada: (http://arquivo.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questoes-de-genero/180-artigos-de-genero/19778-mulheres-negras-as-ferramentas-do-mestre-nunca-irao-desmantelar-a-casa-do-mestre?fb_comment_id=fbc_144656479070889_118922_144665202403350)

7- Gonzalez, Lélia (Entrevista MNU jornal,nº19,maio/junho/julho de 1991,pp.8-9)

Mulheres, Tecnologia e Transformação Social

4615714148_507x467Desde que o mundo é mundo, o desenvolvimento da humanidade se fez através das observações climáticas para serem aplicadas em novas tecnologias,assim, criou-se a cerâmica, o sedentarismo, as tribos e consequentemente a sociedade.

Na África antiga, a sociedade era regida pelo sistema matriarcal e o parlamentarismo (leia-se democracia), poucas pessoas sabem disto, mas também não foi na Africa egípcia, mas sim, na Africa oriental; o que historiadores e arqueólogos denominaram de civilização de Cush.

Cush, uma das civilizações mais antigas do mundo, foi uma sociedade de base matriarcal, onde havia o equilíbrio entre os gêneros e a difusão da justiça e igualdade, diferentemente de civilizações brancas recentes na história mundial, a exemplo de Grécia e Roma que desenvolveram o modo de produção escravagista antigo, baseados em sociedades patriarcais e patrilineares.1

Muitas mulheres, sacerdotisas, rainhas, plebeias ajudaram a desvendar os mistérios da natureza e a complexidade do universo através das observações, teorias e práticas, ajudando assim no desencadeamento dos saberes das novas tecnologia.

Na mitologia,há muitos séculos, nasceu na Irlanda uma linda menina chamada Valentina, que daria início a uma linhagem de mulheres com uma intrigante característica: o dom da magia. Na tradição celta, as mulheres eram consideradas seres especiais, iluminados, e tinham um papel privilegiado nos grupos social e familiar. A pequena Valentina foi consagrada no nascimento a Brighid, filha do deus Dagda, que, na mitologia celta, é o Grande Senhor, deus da magia e da Terra. 2

O que isto tem haver com mulheres e tecnologia? Ora, continuamos a vivenciar o mito de que tecnologia é coisa pra homem; que as mulheres só podem ter acesso as novas tecnologias através do consumo de algum produto eletrônico cor-de-rosa, carros com designer delicados, fogões elétricos, máquinas de lavar que deixam as roupas brancas, suaves e praticamente prontas para se vestirem no intuito de irem trabalhar.

Com salários inferiores no mercado de trabalho, confirmados pelas pesquisas que também descortina que não é um privilégio das mulheres das classes “A” ou “B” e que nem o nível de escolaridade que as colocam nestas condições desiguais na ordem financeira no mundo do trabalho, cabe o agravante das divisões por raça e etnia, que acabam fomentando o desemprego em áreas ditas como privilegiadas pela cor da pele, ditas como profissões da classe dominante, como por exemplo, medicina, direito, engenharia e computação, dentre outras, assim, diferenciação atinge todas as classes e profissões e vai selecionando o preço de acordo com sua cor da pele, quanto mais escura mais dificuldade tem de emprego e se possui um recebe metade do que as mulheres brancas, que também recebem menos que os homens, brancos e negros, uma realidade da sociedade patrilinear e privada.

O sistema privado e patriarcal fez com que na área da cultura dos povos e, isto envolve a educação, busque fazer da mulher um ser que não serve para entender de tecnologia e por isto, não possuem incentivo para tal. Generalizam que a “mulher não nasceu para esta tarefa”.Cabe a mulher de hoje não reproduzir esta cultura; em princípio se rebelar contra o mercado que as quer influenciar através da mídia, que as transformam em mercadorias da beleza no mínimo devem tomar consciência de si e buscar sua autonomia do que quer para a verdadeira transformação social dela enquanto indivíduo nesta sociedade.

Contribuir para o desenvolvimento tecnológico não é aceitar o que lhes é imposto, mas sim, se rebelar em favor de um mundo de condições igualitárias, onde saber os segredos da computação não seja privilégio dos homens, mas de todas e todos que tem interesse na cultura tecnológica, pois é através dela que o mundo se desenvolve, desde que o conhecemos por mundo.

Muitas mulheres hoje, estão incluídas no mundo midiático e digital, porém outras tantas não conseguem ter acesso a um computador e se os tem sabe utilizar 0.0001% do que suas ferramentas oferecem. Este diagnóstico apenas permite que poucas mulheres possam se comunicar mundialmente e como resultado disto, poucas tem acesso a pesquisa, a conhecer um mundo de possibilidades, onde estas estão disponíveis na rede mundial, que lhes permite conhecerem melhor seus direitos enquanto cidadãs, ampliar conhecimentos.

A importância das mulheres no desenvolvimento tecnológico não se dá apenas pela acessibilidade midiática, ela também perpassa pela vontade de criarmos um mundo de inteligencia não só artificial, mas de ferramentas que respeitem a diversidade humana, que abram caminhos para a transformação social e a distribuição de conhecimentos livres, do ir além das fronteiras fundamentalistas.

As mulheres no mundo tecnológico tem tudo haver para a desconstrução deste sistema patriarcal e sexista. Buscar através do olhar feminino um desenvolvimento cultural onde as interfaces virtuais e reais sejam de fato um vértice que transforme as estruturas sociais de quem desenvolve, acessa e utiliza a mídia digital; é um caminho para a realidade que nós mulheres temos que acreditar e nos formar e que somos sim, seres especiais, iluminados, e que temos um papel privilegiado nos grupos social e familiar a possibilidade de mexer no código fonte da vida através do conhecimento livre.

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1 Passos,Walter.História da África e Candaces

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 By  Negalaize

BO(S)TICA PERFUMADA

soulOk!Vivemos num mundo capitalista, isto é fato! bueno, as empresas já sabem que a população LGBT é um nicho consumista, fake, blasè e tem direito de usar os produtos que bem quiser, claro se a empresa tem uma política “de responsabilidade social e da defesa dos direitos” ( entendam que direitos até por ali, quando não escravizam em outros países, testam em animais seus produtos,etc), vale a pena parabenizá-la. Agora na moral, sou negra, lés e não me vi representada no tal comercial( se bem, que o único perfume que usei uma vez da empresa, foi o tal styletto, na década de 90,só queria saber das gatas,boates e tabacos), porém entendo, que vivendo em um mundo capitalista e que o capitalismo é classista, racista e machista entendo que foi um “avanço”, errei este é da gilette, quis dizer que a empresa teve um “quasar” na proposta (qua=quase + azar), onde só conseguiu contemplar uma parcela, mas que já tá lhe rendendo milhões, agora imagina se ela “Spulókis” com tudo, seriam bilhões.

O que me conforta é que a irmandade em sua maioria mulheres jovens negras mães, ( Sim jovens e com a estética da ditadura da beleza conferida pelas eurocêntricas do RH, mas este é outro post, até porque o capitalismo, quando NÃO CAGA NA ENTRADA, CAGA NA SAÍDA) que trabalham nas lojas da referida empresa estão vendendo e ganhando suas comissões e poderão ter um extra a mais no final do mês prá poderem tomar aquela breja bem gelada com suas amigas e namoridos no baile black, onde todo mundo dança passinho …

vivas!

14-gozo-de-la-pachamama

Cada uma na sua, já que não consigo contigo conviver

já que não conseguimos nos falar

cada uma na sua e vamos livres escrava mente marchar.

Vamos relaxar

nos abrir pro diálogo

verdadeiramente

Não precisamos seguir a cartilha invisível dos privilégios

precisamos reescrever nossa luta

onde não tenhamos mais cercas que nos dividam

entre intelectualidade, raça/cor/etnia

sexo, religião,

é chegado o momento que a vida diz que NÃO

não é assim que iremos conseguir vencer

enquanto não conseguir matar o inimigo que tá dentro de você

de mim

será o fim?

fundamental é mesmo amor é impossível ser feliz sozinhas

então quebre a cerca deste movimento

vamos todas em movimento

como ciclones derrubando muros e muralhas

que nos aprisionam e nos constrangem

é chegada a hora fundamental

pegue a coronha que to no gatilho

mira bem e vamos dar logo este tiro

fatal

somos todas mulheres

querendo viver

somos todas mulheres

cansadas de sofrer

somos todas mulheres

vivas, VIVAS, VIVAS!


(NEGALAIZE)

QUANDO UBUNTU FUNCIONA

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O Movimento conseguiu se unificar em conjunto com outros setores da sociedade e obteve uma vitória neste caso de abuso do poder policial misturado com o racismo institucional, mas ainda pergunto, porque não aconteceu igual com o morador de rua Rafael Braga, preso no RJ nas manifestações de julho de 2013?

A vitória no caso de Miriam nos mostra que devemos nos unificar mais e buscarmos libertar nossas negras e negros presos, muitas vezes pelo racismo institucional que já os condena, sem escutá-los, sem querer saber se são ou não inocentes. Neste caso, Mirim uma Estudante de Doutorado da UFRJ, sofreu arbitrariedades, desde a proibição do telefonema para advogado que toda pessoa presa tem direito e da cela especial no qual lhe foi negada, o que também na sua condição de pessoa com terceiro grau completo teria direito, vemos muitos políticos e colarinhos brancos desfrutando deste tipo de cela sem terem sequer entrado em uma universidade.

A mobilização do Movimento negro e outras pessoas que se sensibilizaram com a prisão arbitrária, sim! porque estava nítido que era arbitrária, ajudou em muito no parecer do juiz José Arnaldo dos Santos Soares, serviu também para que o MP CE, repensasse seu papel importante nestes casos de injustiças no judiciário e infrações cometidas pela polícia no Estado, porém isto é Nacional, esta deficiência, este racismo, estas ações da polícia tem exterminado a população negra, antes mesmo de as mandarem para uma prisão arbitrária, simplesmente exterminam, como soltando uma raiva interna daquilo que não sabem explicar, mas que comicha os dedos no gatilho e os faz se sentirem deuses patriotas, defensores de um Estado Falido no quesito segurança pública, já que a mesma foi criada para conter aquilo que o Estado nunca conseguiu priorizar desde a abolição, que era dar suporte para os milhões de negras e negros africanos e afrobrasileiros por conta também do racismo e da ganância da aristocracia ladra de terras, direitos e vida em nome do poder de ter e obter o que não era de seu direito.

Enfim, Miriam está solta respondendo a um processo no Ceará. Rafael Braga está preso em Bangu, nosso movimento, movimentou, mas acho que faltou mais movimento, quem sabe um advogado que entenda e fale nossa lingua, sim, porque é preciso saber o que sofremos diariamente que já vem no ventre, para poder traduzir tudo aquilo que não conseguem entender como nossa cultura, ou uma cultura ofertada para nós, a da pobreza e do racismo.Acho que pensam que assim o mesmo tem uma casa prá morar e outros irmãos alguns merecedores da carceragem outros não como ele e que esperam justiça durante anos e perdem sua vitalidade em nome da moral e dos bons costumes…opa! em nome da limpeza étnica, mas aqui é Brasil, Não temos racismo! somos todxs mestiços, mas tem quem não aceite isto.

Daquilo que sinto

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meu cu descalços….
achei tão poesia isto que me surge agora
nesta cidade vazia
enquanto aguardo uma nova aurora
talvez com menos gente de ressaca
talvez com menos gente chata
talvez com mais gente gente
talvez com mais vida inteligente

meu cú descalços
para o racismo declarado
sua besta de salto alto
sua besta de coturno
sua besta de mocassim
sua besta de nike, adidas, tiger
sua besta

meu cu descalços
neste jogo político sem nexo
que fecha no convexo
do anexo
do planalto central

meu cu descalços
humilde andarilho de mim
tão poética profecia
que este poema poderia não ter fim

meu cú descalços
afrofuturista….
neste mundo não passamos de turistas

meu cú descalços
(@negalaize)