Mulheres, Tecnologia e Transformação Social

4615714148_507x467Desde que o mundo é mundo, o desenvolvimento da humanidade se fez através das observações climáticas para serem aplicadas em novas tecnologias,assim, criou-se a cerâmica, o sedentarismo, as tribos e consequentemente a sociedade.

Na África antiga, a sociedade era regida pelo sistema matriarcal e o parlamentarismo (leia-se democracia), poucas pessoas sabem disto, mas também não foi na Africa egípcia, mas sim, na Africa oriental; o que historiadores e arqueólogos denominaram de civilização de Cush.

Cush, uma das civilizações mais antigas do mundo, foi uma sociedade de base matriarcal, onde havia o equilíbrio entre os gêneros e a difusão da justiça e igualdade, diferentemente de civilizações brancas recentes na história mundial, a exemplo de Grécia e Roma que desenvolveram o modo de produção escravagista antigo, baseados em sociedades patriarcais e patrilineares.1

Muitas mulheres, sacerdotisas, rainhas, plebeias ajudaram a desvendar os mistérios da natureza e a complexidade do universo através das observações, teorias e práticas, ajudando assim no desencadeamento dos saberes das novas tecnologia.

Na mitologia,há muitos séculos, nasceu na Irlanda uma linda menina chamada Valentina, que daria início a uma linhagem de mulheres com uma intrigante característica: o dom da magia. Na tradição celta, as mulheres eram consideradas seres especiais, iluminados, e tinham um papel privilegiado nos grupos social e familiar. A pequena Valentina foi consagrada no nascimento a Brighid, filha do deus Dagda, que, na mitologia celta, é o Grande Senhor, deus da magia e da Terra. 2

O que isto tem haver com mulheres e tecnologia? Ora, continuamos a vivenciar o mito de que tecnologia é coisa pra homem; que as mulheres só podem ter acesso as novas tecnologias através do consumo de algum produto eletrônico cor-de-rosa, carros com designer delicados, fogões elétricos, máquinas de lavar que deixam as roupas brancas, suaves e praticamente prontas para se vestirem no intuito de irem trabalhar.

Com salários inferiores no mercado de trabalho, confirmados pelas pesquisas que também descortina que não é um privilégio das mulheres das classes “A” ou “B” e que nem o nível de escolaridade que as colocam nestas condições desiguais na ordem financeira no mundo do trabalho, cabe o agravante das divisões por raça e etnia, que acabam fomentando o desemprego em áreas ditas como privilegiadas pela cor da pele, ditas como profissões da classe dominante, como por exemplo, medicina, direito, engenharia e computação, dentre outras, assim, diferenciação atinge todas as classes e profissões e vai selecionando o preço de acordo com sua cor da pele, quanto mais escura mais dificuldade tem de emprego e se possui um recebe metade do que as mulheres brancas, que também recebem menos que os homens, brancos e negros, uma realidade da sociedade patrilinear e privada.

O sistema privado e patriarcal fez com que na área da cultura dos povos e, isto envolve a educação, busque fazer da mulher um ser que não serve para entender de tecnologia e por isto, não possuem incentivo para tal. Generalizam que a “mulher não nasceu para esta tarefa”.Cabe a mulher de hoje não reproduzir esta cultura; em princípio se rebelar contra o mercado que as quer influenciar através da mídia, que as transformam em mercadorias da beleza no mínimo devem tomar consciência de si e buscar sua autonomia do que quer para a verdadeira transformação social dela enquanto indivíduo nesta sociedade.

Contribuir para o desenvolvimento tecnológico não é aceitar o que lhes é imposto, mas sim, se rebelar em favor de um mundo de condições igualitárias, onde saber os segredos da computação não seja privilégio dos homens, mas de todas e todos que tem interesse na cultura tecnológica, pois é através dela que o mundo se desenvolve, desde que o conhecemos por mundo.

Muitas mulheres hoje, estão incluídas no mundo midiático e digital, porém outras tantas não conseguem ter acesso a um computador e se os tem sabe utilizar 0.0001% do que suas ferramentas oferecem. Este diagnóstico apenas permite que poucas mulheres possam se comunicar mundialmente e como resultado disto, poucas tem acesso a pesquisa, a conhecer um mundo de possibilidades, onde estas estão disponíveis na rede mundial, que lhes permite conhecerem melhor seus direitos enquanto cidadãs, ampliar conhecimentos.

A importância das mulheres no desenvolvimento tecnológico não se dá apenas pela acessibilidade midiática, ela também perpassa pela vontade de criarmos um mundo de inteligencia não só artificial, mas de ferramentas que respeitem a diversidade humana, que abram caminhos para a transformação social e a distribuição de conhecimentos livres, do ir além das fronteiras fundamentalistas.

As mulheres no mundo tecnológico tem tudo haver para a desconstrução deste sistema patriarcal e sexista. Buscar através do olhar feminino um desenvolvimento cultural onde as interfaces virtuais e reais sejam de fato um vértice que transforme as estruturas sociais de quem desenvolve, acessa e utiliza a mídia digital; é um caminho para a realidade que nós mulheres temos que acreditar e nos formar e que somos sim, seres especiais, iluminados, e que temos um papel privilegiado nos grupos social e familiar a possibilidade de mexer no código fonte da vida através do conhecimento livre.

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1 Passos,Walter.História da África e Candaces

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 By  Negalaize

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