PARA SEMPRE IRMÃ

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E agora minha irmã?
quando ventar sempre lembrarei de ti
quando os raios iluminarem o céu lembrarei de ti
Nossa cúmplicidade na amizade foi nossa
riamos de nossos bafos que eram na realidade
o reflexo de nossa amizade…
Olorum te chamou
que Oyá te guie
e nos braços de oxalá te embale
e que possas seguir tua luz e tua estrada celestial
nós que ficamos
buscaremos nos guiar pela pessoa que foste para nós.
determinada, cheia e garra e de luz.
Siga minha irmã, siga em paz e sempre siga a luz.
Atinuke Alquimistada Lua, nunca consegui dizer o nome do meio e lembrando disto me despeço, lembrando de nossas boas risadas.
Não vou mais te cuidar na madruga com a saia transparente…
e tu não vai me ligar as 8h a manhã só prá me atucanar…
mas iremos estar juntas eu nas minhas lembranças
e tu no tempo que nos juntou.
Obrigada por me ensinar …

Para Sempre!

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Ah! Branco…Dá um tempo!

OUVIDORIA BALÃO3Uma sugestão de texto, a versão remixada que Viviana Santiago fez da carta reposta ao Spike capote.

O PROBLEMA COM A EXPRESSÃO

As negas-Tal expressão transforma o corpo da mulher negra em peça, como eram chamados os escravizados, a ser consumido por uma sociedade racista. Nos coloca no lugar de mercadoria de segunda mão que não receberá o mesmo tratamento da carne branca e delicada, aquela que não é “suas nêga”. A expressão é imbuída não apenas de pensamento escravocrata, mas também de machismo, cujas consequências sentimos na pele por sermos mulheres negras.
Trata-se portanto de uma dupla violência que categoriza mulheres de acordo com sua cor de pele, qualidade que determinará qual o valor e o lugar que têm.

MAS NA BAHIA TODO MUNDO FALA minha nega….

Na Bahia, nego e nega tem conotações diferentes das que tem em Recife, por exemplo. E dependendo do uso da frase, do tom com que se fala, de quem recebe e de quem envia a mensagem, você ofende ou elogia. No entanto, a construção “não sou tuas nega” não permite outro significado possível que não o racismo num contexto hediondo de 350 anos de escravização. E se alguém perpetua adjetivo racista, que nome isso deve ter?

A SÉRIE GERA VISIBILIDADE?

A idéia da série, aos olhos poucos atentos ou interessados apenas em gerar lucro, pode até parecer de grande monta. Porém, está longe de gerar visibilidade ou dignidade. Aliás, exatamente o contrário. Como quase sempre acontece com literatura e dramaturgia feita por não-negros sobre negros, nos trata como simples objeto de estudo, algo que pode ser manipulado e observado justamente como você faz. Para gente o que nos importa é visibilidade, esta sim capaz de nos ter algum benefício, com poderes para mudar o modo como seremos retratadas na próxima novela, na próxima minissérie. Sem isso, nada mudará, seguiremos sendo uma sociedade estruturalmente racista e machista onde a mulher negra nada mais é que um estereótipo para racista se divertir ou entreter.

DIZ QUE A SÉRIE TRAZ PROTAGONISMO PARA MULHERES NEGRAS…SERÁ?

Uma sociedade em que nós, mulheres negras, não somos protagonistas nem mesmo num seriado a quem damos o nome. Sim, as notícias têm mudado, mas as primeiras davam conta de uma atriz não-negra como a atriz principal. Ela que, atrás de um balcão de bar, vai nos observar como animais num zoológico, ela quem fala em nosso lugar. Nossa história, sofrimento e capacidade de discursar sobre nós mesmas são meros detalhes. A narradora da trama, nesse caso narrador, é alguém isento desse mesmo sofrimento. Não é bobagem, nem caretice, nem ditadura do politicamente correto como alguns vão afirmar. É critica e zelo por nossa memória e existência.

E SOBRE A REPRESENTAÇÃO?

O autor argumenta que “um programa que refletisse um pouco a dura vida daquelas pessoas, além de empregar e trazer para o protagonismo mais atores negros” seria desejável. E na verdade seria mesmo. Desde que escrito, produzido e protagonizado por negros. Não por alguém que nem se deu ao trabalho de creditar a mulher negra que deu o título à série. Esse detalhe é causa e ao mesmo tempo consequência de todos os outros: a fetichização de nossa sexualidade e corpos, a ênfase nos estereótipos, a violência simbólica que a série representa.

E O BOICOTE? O PROBLEMA É O SEXO?

Isso não é sobre sexo. É sobre denunciar um sistema perverso que exclui as mulheres negras de todas as esferas e nos torna menos que humanas. Sistema esse que também incide sobre o homem negro, alvo primeiro e preferencial da violência policial e da hipersexualização do seu corpo: o “homem do pau grande” é resultado da brutal animalização do corpo negro, sempre pronto pro sexo. Onde está a crítica desse sistema na televisão brasileira? De certo não está em nesse seriado, muito menos na fala do autor.

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REPÚDIO
Repudiamos as palavras do autor porque fomos estupradas nas senzalas e continuamos a ser na dramaturgia feita por brancos sobre nós através de imagens estereotipadas em seriados, novelas e minisséries. Esse é um dos mecanismos que a aliança entre o racismo usa para se perpetuar: hipersexualizando a mulher negra que se torna desprezível para outros papéis sociais. Você fala da mulata quente, gostosa, fogosa. Somos muito mais que isso. Precisamos ser mostradas como as mulheres do dia-a-dia, que trabalham, dançam, fazem festa e querem sexo sim, mas que não são apenas isso.

Não estamos aqui menosprezando nem dizendo que não somos camareiras, cabeleireiras: também somos trabalhadoras domésticas, cuidadoras. Mas sobretudo, com as nossas conquistas e a nossa luta, galgamos lugares, posições: somos diretoras, bailarinas, advogadas, publicitárias, escritoras, professoras e médicas. Onde elas estão no seu seriado? Só que nós NÃO aceitaremos mais ser caricaturas! Por isso a critica vai além do nome da série, o que por si só é deveras problemático.

RESPEITO É BOM E A GENTE GOSTA!

Não estamos perseguindo as atrizes negras desse seriado, muito menos as mulheres reais que são representadas pelas suas personagens. Quem conhece um pouquinho de história e dela faz um uso bem intencionado, sabe que existem outras versões além daquela em que fomos escravizados sem lutar, viemos sem resistência num navio negreiro. Não se faça de desentendido, quem criou capitães do mato não foram os próprios negros.

Acusar alguém de “se tornar capitão do mato”, como respondeu o autor da série às críticas, é algo muito mais complexo do que formular uma frase. É impossível que sejamos algozes de nós mesmos, isso é falácia. Retire sua fala e reflita sobre o que significa nosso boicote e critica que têm como alvo um modelo e um sistema historicamente racistas, em que nem o direito de falar, contar nossas próprias histórias e tecer criticas nós temos. Repito: isso não é uma caçada ao povo negro nem à mulher preta e pobre. É sobre o racismo enrustidamente manifesto, sem nem se sentir ou admitir.

Link AQUI carta resposta Blogueiras Negras para Miguel Falabella

NÃO PERDOO!

graffiti feministQuer saber companheira de gênero, NÃO DESCULPO!

Assim, como não desculpo minha professora da 1ª série que me amarrou na cadeira e pôs um esparadrapo na minha boca enquanto dizia esta negrinha não pára, para a classe onde sua maioria branca de classe média num colégio de freira onde fui meia bolsista!, não desculpo a freira que fez a maior lambança com minha mãe, dizendo que estava fazendo sexo no banheiro dos meninos, enquanto inocentemente brincávamos de TunderBirds, e levamos as maiores surras de nossas vidas e despertei prá sexualidade, Não perdoo NENHUM(A), NENHUM EDUCADOR QUE ME DAVAM PALMADAS E ME CHAMAVAM DE NEGRINHA SERELEPE, NÃO PERDOO EDUCADORES que tentavam me baixar a estima por usar tranças e depois transar meu cabelo como me dava na veneta, Não perdoo pessoas brancas e negras que me chamam de “negra louca” por não me encaixar nos padrões negociáveis de quem faz movimento para ficar no poder e viajar e viver de Diárias. NÃO PERDOO!

Não perdoo quem fica falando que o mundo é intolerante com suas escolhas, sejam elas de orientação sexual, estéticas e na real são as primeiras pessoas a detonarem outras pessoas por não serem medíocres como elas, pois saem do discurso e colocam em prática diariamente, o que não é fácil, os desafios impostos por esta sociedade racista, machista e capitalista.

NÃO PERDOO!!!

Então guria, sofra as consequências de seus atos, RACISMO É CRIME!

Muitos já morreram e morrem diariamente por causa do RACISMO, então NÃO PERDOO!!!

Hoje tu chora, mas sabes quantas lágrimas de negros e negros já rolaram por sofrerem estes atos racistas? sejam de meninos e meninas implorando perdão antes de tomarem um tiro de escopeta na cara, dado pelo Estado racista, de mães que choram por estes e estas meninas? sabe?

Sabe quantas mães estão neste momento dando colo para seus filhos e filhas que chegam da escola ou da rua arrasados por alguma situação de racismo que passaram?

Não. EU não PERDOO!!!

Não Desculpo, Não perdoo. São tantos atos de racismo que enfrentamos diariamente é na TV, é nos debates sobre cotas ou não, é no salário das mulheres negras, é na hora do parto em que as mulheres negras, tem que escutar: para de gemer nega, na hora de fazer não doeu né, macaca?!, e por ai vamos seguindo durante séculos e ainda neste, como se não avançacemos e sim recuássemos em pleno Séc. XXI. Não perdoo, se seguiste o grito do machismo, sem se tocar que o que estava gritando ia contra teus princípios segundo dizes, MENTIRA! Não PERDOO, seu falso choro na tentativa de se safar e não PERDOO SEU ADVOGADO, que vem com uma desculpa mais racista que seu grito em campo;não PERDOO o delegado que teima em tipificar o que o mundo todo assistiu como sendo um CRIME DE RACISMO, autuando você e seus comparsas, por INJÚRUA RACIAL…a desculpa, não estragar a vida de alguém do bem, que nunca cometeu algum ato infracionário aos olhos da lei e por que agora prender por crime de racismo, que é inafiançável, mas quando prende algum negro ou negra apenas por não portarem documentos em alguma rua escura e deserta, já mandam uma preventiva, claro, se chegarem vivos a alguma delegacia, se a PM deixar, NÃO PERDOO!

NÃO PERDOO, Porque não sou nenhum ser superior, sou uma mulher negra lésbica, que diariamente acorda e pensa que para construir um mundo sem racismo e machismo, devo me despir de meu ego, porque posso ser racista com os meus, as minhas; porque é assim que o racismo age, rasteiramente; e quando vemos aquilo que nos fere, acabam servindo para nós como armas para ferirmos as nossas, os nossos também!!!

Então deboísticamente vou seguindo minha vida. Deboísta sim. Alienada NUNCA!!!

@negalaize