AO MESTRE COM CARINHO

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Quando te conheci ainda era uma adolescente descobrindo meu caminho, minha identidade negra e nestas buscas te conheci, te conheci galante, falante, sorridente no bar do marinho, ainda era na rua da república naquela garagem, onde trocávamos ideias e cantávamos musicas diversas, sempre regadas a uma ceva bem gelada ou um vinho tinto seco. Depois fomos nos encontrando pelos bares da cidade baixa e assim um dia eu que apenas escutava sua voz a noite lhe vi num show tocando sopapo.

Até então não tinha me ligado o que era o Sopapo e nem que eras um mestre, guardião desta arte. Tinha momentos que nem conversávamos, só nos cumprimentávamos e seguíamos nossos caminhos, mas já sabendo que nos encontraríamos dali a diante.

Aos poucos a gurizada também foi te redescobrindo e fazendo vídeos, entrevistas e valorizando o que a sociedade teimava em invisibilizar.

Fazedor da cultura no Rio Grande do Sul, conhecido pelos pagos da América Latina e os dalém mar, me ensinou tudo o que sei sobre o instrumento, sua origem, nossa ancestralidade e principalmente seguir com fé naquilo que acreditamos e assim seguimos.

Hoje, Olorum te chamou, o Rio Grande chorou, mas como tu próprio dizia: “NÃO ME VENHAM COM CHORO QUANDO MORRER, QUERO ALEGRIA, QUERO OS SOPAPOS TOCANDO PARA SEGUIR MEU CAMINHO”.

Mestre Giba Giba, sua persistência não foi em vão, continuas o guardião da nossa cultura afro-brasileira do sul do país espraiada pelo mundo afora e os sopapos cada vez que forem tocados terá um pouco de tua voz melódica nos ensinando que o maior valor nesta vida é preservar a memória de nossos antepassados.

Até Mestre.

Qual o pior crime, do garoto ou do Estado?

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Triste mesmo é ver uma cena destas e como mulher, negra lésbica, saber que todo dia buscamos nos desvencilhar do racismo deste país, pior ainda é saber que o Estado está por trás disto, pois é feito por indivíduos que por sua vez em sua maioria o administra apenas para uma parcela da população, que não é NEGRA E POBRE!
Programas Federais, Estaduais, Municipais, Distritais buscam apenas solucionar a ponta do iceberg, que ironicamente é branco.
Quando negras e negros estão em reuniões para tentar no mínimo garantir uma humanização em relação a inclusão da população negra de forma mais concisa que não sejam capacitações para que continuem na linha da pobreza, as caras que fazem para nós negras e negras que tivemos e temos o privilégio de agarrarmos com as duas mãos s oportunidades que nossas mães e pais nos deram enquanto limpavam a Bosta deste povo que se acha melhor de tod@s, frutos de larápios e exploradores da Mãe África e descendentes da mesma, mesmo não querendo acreditar, por isto tamanha vontade de exterminar quem por herança lembra diariamente, pela sua cor negra, que sim, sobrevivemos, a tranco e barranco, acorrentados literalmente, seja intelectualmente seja nos postes, podemos ler seus pensamentos, em tais reuniões, ” lá vem esta/este negrinho dar opinião em nossos projetos”…
Esta imagem é a realidade nua e crua do pensamento e da prática em buscar o extermínio da população negra neste país. Minha tristeza não é só minha é de tod@s nós, que buscamos um mundo melhor, um mundo onde nossas lideranças negras não pensem apenas em se safar usando terninhos e roupas paramentadas conquistadas na pactuação destas práticas pelo Estado. Somos maioria, somos milhões de votantes, somos milhões em busca de igualdade racial justa. falo aqui de raça e classe, falo aqui sem classe, porque minha raça esta ai, exposta amarrada num poste como meus antepassados.