democratização da comunicação onde está o racismo?

Há muito tempo queria escrever sobre o movimento pela de democratização da comunicação e os projetos que tramitam na Câmera Federal sobre a necessidade da diplomação do jornalista.

Primeiramente me vem o questionamento, pois é o que mais tem se destacado no debate: ser diplomado ou não ser diplomado, ai está a questão!

Fico me debatendo e por isto demorei a escrever este texto, será que é o diploma de jornalista que poderá realmente democratizar a comunicação ? Será que só um jornalista diplomado possui ética e discernimento para não manipular os fatos noticiados?

Segundo o Dep. Federal Pimenta, é preciso analisar quais foram os efeitos da mudança promovida pelo STF. “O que nós temos que nos perguntar é: Quais foram os benefícios que essa mudança trouxe para a sociedade ao longo dos anos? Reduziu o monopólio? Não. Ao contrário, precarizou as relações trabalhistas e desqualificou o profissional”.

Pois é! eu acho que estes questionamentos já com uma resposta fechada são muito tendenciosos, pois o nobre deputado diplomado em jornalismo, esquece que em seu próprio partido, aqui posso dizer: o nosso, existem muitos jornalistas com DRT e sem diploma e que incentivaram através de seus veículos de comunicação comunitárias ao PT chegar onde está hoje, no poder, já questionamento que eram apenas estes veículos que davam oportunidade para os “vermelhinhos” poderem adentrarem na mídia diretamente com o povo e agora vejo muitos que foram agraciados por estes jornalistas sem diploma, apresentarem projetos de lei e discursarem a favor da obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão. Onde se perderam na história recente das disputas ideológicas em nosso país?

Pois ao apresentarem estes projetos de lei e discursarem que para haver uma verdadeira democratização da comunicação tem que ter diploma, é no minimo um pensamento meramente eleitoreiro pelo viés, pois defender a diplomação, não estão mais do reafirmando a permanência dos interesses do que chamamos da “doutrina do Choque” , baseado no documentário da canadense canadense Naomi Klein, onde “o estado de choque não é apenas o que acontece conosco quando acontece algo ruim, e sim o que acontece quando perdemos a nossa narrativa, quando perdemos nossa história, quando ficamos desorientados. O que nos mantêm orientados, fora de choque, é a nossa história”. Assim, vejo este debate da democratização da comunicação ser defendido por lideranças de “esquerda” se é que existe esquerda hoje no Brasil.

Agora eu que pergunto, o PIG não é só composto por jornalistas de canudo? então onde que tá a diferença da comunicação corporativista e capitalista e a nova democratização da comunicação?

Na minha visão este debate é uma armadilha muito tendenciosa, afinal todos os diplomados estão é puxando para o seu lado e não estão conseguindo ou não querem fazer uso da dialética e pensar no que esta democratização estará realmente beneficiando, é um lindodebate metido a intelectual, que por si só já é totalmente excludente, como por exemplo, onde ficarão os jornalistas jovens de favelas e os das rádios e tvs comunitárias? Será porque em sua maioria são negros e negras ou não é sobre racismo apenas que estamos falando? Ah, é de classe? Então temos aqui dois fatores vitais para que a elite e muitos não tão elite assim,mas em sua maioria brancos que defendem a diplomação dos jornalistas e por isto, por não serem tão elite assim, chamam de democratização da comunicação? Ou porque é uma esquerdalha que conseguiu entrar e pagar uma universidade e agora esquecem o que os tornou hoje jornalistas foi justamente a defesa de projetos antagônicos ao capitalismo?

Acredito que o Nobre deputado em conjunto com os “deputados de esquerda”, mas principalmente os Ptistas, deveriam se concentrar nas concessões aos veículos de comunicação, isto sim! Mas isto também tá na democratização da comunicação, mas por que este não é o assunto foco que possa ser desenvolvidos em projetos de lei para que este lixo que nos vendem diariamente nos telejornais e grades de programação, cada vez mais tentam nos doutrinar com o choque da violência, das religiões fundamentalistas, das informações nos passadas distorcidas e todas produzidas por jornalistas diplomados? Este é o centro de tudo; porque não é um diploma ou não que democratizará a comunicação e sim as regras, normas, editais para estas concessões…dá licença, mas acredito que este seja o caminho do debate…de resto melhor nem opinar mais, pois cheira mal..

Leila Lopes

é jornalista com DRT sem diploma e ativista afrolésfeminista.

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