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download gratuito da obra “A representação social do negro no livro didático: o que mudou? Por que mudou?”, autoria de Ana Célia da Silva. Publicada em 2011 pela Editora da Ufba, a obra traz uma análise sobre as mudanças que ocorreram na representação social do negro no livro didático de Língua Portuguesa de Ensino Fundamental da década de 90, investigando os fatores que as determinaram. A importância destas mudanças para o reconhecimento e respeito do negro por parte da sociedade como um todo também está presente nesta publicação.

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Breve Histórico das Rainhas Candaces

Por Leila Lopes

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Introdução

O termo Candaces é originário do Grego, Kandakê, provêm do Latim com influência francesa de Kandakai. Este nome os gregos e romanos denominavam as rainhas – mães, do império etíope, com as quais tinham relações políticas.

Amikarenas

Amanirenas foi uma das mais poderosas candaces; aos 50 anos foi comandante-chefe do exército e sumo sacerdotisa de Isis. Foi sobre o comando de Amanirenas que se fez a aliança do exercito Kushita – Kemita à ocupação dos romanos a Kemet e ao resto da África no tempo do Imperador Augusto Cesar.

A origem deste conflito se deu com a invasão dos romanos a Kemet (Egito), fazendo que o exército Kushita, liderado por Amanirenas a invadi-lo, atacando a fortaleza de Assuan, onde capturaram as tropas romanas, que já haviam incendiado a cidade de Karnak, quando o exercito kushita derrubou a estátua do Imperador Augusto levando sua cabeça como prêmio de guerra para a cidade de Meroé.

Amanirenas possuía tropas fiéis espalhadas pro diversas regiões da África, segundo as escrituras de Heliodurus, os exércitos Kushitas estavam espalhados por todas as regiões da África e, apesar dos romanos possuírem 10.000 infantes, 800 cavaleiros e milhares de auxiliares, num total de cerca de 30.000 militares, foram por final derrotados pelo exército Kushita.

No final da guerra o Imperador romano Cesar Augusto e seu general, Gaius Petronius, tiveram que negociar a paz; ao receberam os mensageiros Kushitas, na ilha de Samus, no mar Egeu, com flechas de ouro, enviadas pela rainha Candaces com a seguinte mensagem:“Trata-se de um presente da kandace. Se você quer guerra, as mantenha porque vai precisar delas. Se você quer paz, aceita-as como um símbolo de minha cordialidade e amizade”

O presente foi aceito e a guerra terminou. As concessões negociadas foram que os kushitas continuassem a sua adoração a Isis em Elefantina, que era uma cidade egípcia controlada pelos romanos e mais o pagamento de templos em Kush, como indenização, já que alguns foram destruídos pelos romanos.

sabaRainha Makeda (Sabá)

Na Capital do Iêmen os Arqueólogos tentam encontrar nas ruínas de um colossal templo a 120 quilômetros de Sanaa, os restos mortais da rainha do Sabá.

Sabá foi uma sábia rainha que levou o cristianismo para o seu povo, conhecida pelos islâmicos como Belkis e pelos Etíopes como Makeda. Seu reino era conhecido como o reino das mil fragrâncias, existiu por 1 800 anos e só desapareceu por volta do ano 600 da era cristã, pouco antes do advento do islamismo. (Rufino,Alzira.1987)

O reino de Sabá controlou durante séculos as rotas das caravanas que transportavam mirra e incenso, estes, produtos obrigatórios nos templos da antiguidade.

Conta a história de Kebra Negast, que o primeiro governante dos reis dos Judeus, Davi, desposou uma descendente de judeus negros, Betsabé. Desta união, nasceu Salomão e que sucedeu o pai e gerou um filho com a rainha Makeda, imperatriz de terras ao sul da Etiópia. A este filho que se chamou Menelik ou o filho do sábiolhe foi confiada à arca da aliança, contendo os dez mandamentos dados por Moisés.

O reino de Davi estabeleceu-se na Etiópia há três mil anos e a dinastia, bem como o anel de diamante, onde se extinguiu com a morte de Heile Selassie. Esta dinastia reinou na Etiópia até 1974.

Reflexo direto do passado determinando práticas preconceituosas e racistas no presente.

Desde a antiguidade foram estabelecidas separações entre “os iguais”, isto é, os membros de uma mesma cultura, e os “diferentes”, isto é, membros de outra cultura, segundo o professor de filosofia de Gana, Kwame Antony Appian.

Observando as duas principais tradições da antiguidade ocidental, os gregos clássicos e os hebreus. Para Appian, na Grécia do século V a.C., Hipócrates (460-377 a.C.)

Acreditava que seu povo era superior aos povos da Ásia ocidental, porque os “solos áridos da Grécia haviam forçado os gregos a se tornarem mais fortes e independentes”. Equivocadamente, o célebre médico grego acreditava que o meio ambiente determinava a “superioridade” dos gregos, mas que outros povos poderiam ser modificar a sua “inferioridade” se passassem a usufruir os ares benéficos do meio ambiente grego. O mesmo ocorreria com os etíopes “negros do sul” e os citas, “louros do norte”. Assim os gregos acreditavam que o valor de uma pessoa não era determinado pela cor de sua pele e sim pela conjugação de sue caráter individual e do meio ambiental.(

Os gregos classificavam os povos segundo suas características tanto físicas como culturais, mesmo tendo uma opinião negativa da maioria das culturas não gregas, respeitavam muito os indivíduos de aparência diferente, tanto que admitiam que a cultura grega adquirira muitos conhecimentos da cultura egípcia e do seu povo, de pele mais escura.

Na Bíblia Sagrada, base da tradição hebraica, não são a aparência ou os costumes, mas sim o pacto com Deus, onde todos descendemos de Adão e Eva e, os três filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé.

Segundo o livro do Gênesis Capítulo 09, Versículos 18-27; após Noé, beber vinho e dormir nu, Cam, chamou seus irmãos e estes cobriram seu pai, ao acordar Noé ficou sabendo e amaldiçoou Cam com as seguintes palavras: “maldito seja Canaã, que ele seja para seus irmãos o último dos escravos” e acrescentou: “Bendito seja Javé, o deus de Sem e, que Canaã seja seu escravo”, e ainda: “que Deus dilate a Jafé e, que Canaã seja seu escravo”.

Assim nas interpretações históricas desta maldição mítica, as leituras feitas pelos historiadores ficaram registradas os interesses medievais, onde os interesses mercantilistas e de expansão colonialista encontrava justificativas para tais genocídios.

(LOPES, Leila. Ativista Lésbica negra Feminista, Integrante da REDE SAPATÀ)

LANÇAMENTO LIVRO “MULHERES NEGRAS CONTAM SUAS HISTÓRIAS” Depoimento autora

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Ontem, dia 06 de novembro de 2013, foi o lançamento do livro de coletâneas de textos e ensaios ganhadores do Prêmio “Mulheres Negras Contam sua História”, uma realização da SPM em Parceria com a SEPPIR/PR. Não podia ser diferente, o livro foi lançado na III CONAPIR.

Confesso que nem esperava que a publicação fosse sair tamanhos os entraves para empenhos e outras burocracias que a gestão cria para a própria gestão, para se fazer acontecer tem que haver muita força de vontade de servidores e gestores para que algum edital, premiação ou outro projeto que não esteja no campo prioritário do planejamento governamental, isto é, Econômico ou que traga algum retorno para o Estado, que de propaganda e assim reflita na mídia e assim possa servir para a opinião pública avaliar se o governo está ou não está apto seja para a releição, seja para ganhar apoio para que o…

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LANÇAMENTO LIVRO “MULHERES NEGRAS CONTAM SUAS HISTÓRIAS” Depoimento autora

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Ontem, dia 06 de novembro de 2013, foi o lançamento do livro de coletâneas de textos e ensaios ganhadores do Prêmio “Mulheres Negras Contam sua História”, uma realização da SPM em Parceria com a SEPPIR/PR. Não podia ser diferente, o livro foi lançado na III CONAPIR.

Confesso que nem esperava que a publicação fosse sair tamanhos os entraves para empenhos e outras burocracias que a gestão cria para a própria gestão, para se fazer acontecer tem que haver muita força de vontade de servidores e gestores para que algum edital, premiação ou outro projeto que não esteja no campo prioritário do planejamento governamental, isto é, Econômico ou que traga algum retorno para o Estado, que de propaganda e assim reflita na mídia e assim possa servir para a opinião pública avaliar se o governo está ou não está apto seja para a releição, seja para ganhar apoio para que o partido da situação continue na gestão. Pois bem, saiu o livro, pois bem ele foi lançado na III CONAPIR, que para mim, hoje não trás nenhuma novidade no campo do controle social, salvo alguns ativistas “louc@s”, que quebram os protocolos e os acordos de “camarinha” e fazem estas conferências hoje, fazer alguma diferença no dia a dia, neste caso da população negra.

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Cabe salientar, que estava assistindo a abertura do Evento que contou com a presença da presidenta Dilma, que de supetão resolveu ir até a conferência, por isto, para quem não entendeu, a dificuldade de quem não era delegado de entrar no evento…mas como estava descrevendo, assistindo a abertura me surpreendeu, me representou uma delegada negra que foi ao encontro da Presidenta Dilma e lhe entregou aquilo que parecia uma carta e ali parou conversou coma presidenta que não estava gostando nada, nada do que estava sendo lhe dito e sendo entregue, pois é, me representou, aquela negra retirada sem violência, mas condizida para longe da Presidenta, gritou algo e quando se vira, pois ela estava tão simples, perto da maioria dos delegados da conferência que mostravam seus axós elegantes e turbantes, ela, uma calça jeans e uma camiseta com os dizeres “SOMOS TODOS QUILOMBO DOS MACACOS”, pois é, era uma autêntica Quilombola. me representou, quebrou protocolo, entregou a carta e meteu a boca na Presidenta, obteve apoio e solidariedade dos/das delegadas presentes, óbvio que não, se obteve foi de sua delegação e de uns poucos, para mim deveria ter sido de todo o plenário, pois a situação dos quilombolas, dos terreiros e casas de matriz africana, não tem como ficar calados sem apoiar quem teve coragem de quebrar o protocolo para reivindicar o que lhe é de direito e que muitos presentes ali também sofrem diariamente, de ameaças de morte, limitação de andar em suas próprias terras, depredação de seus terreiros…sim, ela é uma candace ainda viva que fez seu dever em uma conferência, neste caso a III CONAPIR.

DSCF7869Assim, no outro dia lá estava eu, que queria passar longe desta conferência, sendo recebida como celebridade o que não sou e se neste dia fui, dedico a minha mãe, pois foi através da história que conto de sua vida que fui agraciada pela menção honrosa, do prêmio acima citado, Dita- Identidade Quilombola. Foram cinco horas entre o lançamento, a fala e a sessão de autógrafos, escrevi até não puder mais, me senti, me emocionei, me orgulhei e principalmente vi e conversei com muitas mulheres que me inspirei na vida e na descoberta enquanto mulher negra que sou hoje e muitas desconhecidas que ainda estão engatinhando no ativismo nacional,mas que estavam ali na sua simplicidade compartilhando daquele momento e com elas também me senti acolhida, senti minha mãe, que ainda viva estava em sua labuta na cidade em que vive,Porto Alegre e com a ausência dela fisicamente brinquei, brindei e distribui autógrafos, me diverti com as Yás, Quilombolas, Babas, Jovens, indígenas e ela que me cativou no dia anterior via link, seu nome: Rose, uma das delegadas do quilombo dos macacos,que conversando descobri que não sabia ler e nem escrever e que buscava alguém para lhe escrever uma moção, me ofereci,mas nos desencontramos, aliás, todas as delegadas do quilombo dos macacos são analfabetas, lembrei de mamãe outra vez, de minhas tias, de outras mulheres quilombolas, me emocionei outra vez e no ato da sessão de autógrafos senti que sou uma vencedora, que elas são umas vencedoras e que TODAS SOMOS QUILOMBO DOS MACACOS! 

E é por estas e outras razões que me sinto privilegiada, mas não para seguir meu caminho individualmente, cuidando apenas do meu umbigo ou fazendo discursos ou projetos que enganem minhas ancestrais, minhas irmãs, meu povo. Não! eu acredito na troca; acredito que se cheguei aqui é por conta da força, do sacrifício, da perseverança de minha mãe, em me dar caráter, educação e senso de ética e esta tríade é minha base que me dá força para desbravar brasis e compartilhar esta pouca sabedoria, mas que compartilha o que sabe para dar autonomia á estas mulheres, candaces, ancestrais vivas que lutam diariamente pelos direitos de suas comunidades, mesmo sendo em sua maioria analfabetas, sabem e lutam da forma como suas ancestrais lhe ensinaram e assim seguimos até todas estarmos libertas com os nossos.

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A redação DITA – IDENTIDADE QUILOMBOLA, vai primeiramente para ela, minha rainha, minha mãe e segue para as mulheres negras quilombolas e Yás que batalham dia a dia contra o racismo, a intolerância religiosa, o machismo e a homolestransfobia nas comunidades em que vivem. 

uito Axé!

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CAPA

Livro “Mulheres Negras contam sua História” será lançado na III Conapir

Publicação reúne textos vencedores e os que receberam menções honrosas nas categorias Redação e Ensaio no Prêmio lançado em parceria entre a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a SEPPIR para dar visibilidade às mulheres negras

A publicação do livro é a última etapa da premiação, que teve a divulgação das vencedoras em uma cerimônia que contou com a presença da ministra Luiza Bairros

A publicação do livro é a última etapa da premiação, que teve a divulgação das vencedoras em uma cerimônia que contou com a presença da ministra Luiza Bairros

O livro “Mulheres Negras contam sua História”, resultado do prêmio homônimo realizado em parceria pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), será lançado nesta quarta-feira, 6, durante a III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial – III Conapir, que acontece no Centro de Convenções Brasil 21, entre hoje e o dia 7, em Brasília-DF. O evento será na Galeria Milton Santos, entre 12h30 e 13h30.

A publicação do livro é a última etapa da premiação, que teve inscrições abertas em novembro de 2012 e divulgou as vencedoras em abril deste ano, em uma cerimônia que contou com a presença da ministra Luiza Bairros, da SEPPIR. A obra reúne os quatorze textos das premiadas nas categorias Redação e Ensaio e os que receberam menções honrosas.

O prêmio Mulheres Negras contam sua História – Concurso de redações e ensaios, sobre a história e/ou a vida de mulheres negras na construção do Brasil, teve como objetivo estimular a inclusão social das mulheres negras, por meio do fortalecimento da reflexão acerca das desigualdades vividas por elas no seu cotidiano, no mundo do trabalho, nas relações familiares e de violência e na superação do racismo.

Foram 521 inscrições, sendo 421 redações e 100 ensaios, enviados por mulheres autodeclaradas negras, contando histórias de vida individuais ou coletivas de pessoas que contribuíram para a construção do país.

Fonte:http://iiiconapir.seppir.gov.br/?p=1556