A Cultura Viva em nós

Quando falamos sobre as armadilhas do capitalismo e na cultura capital, estamos alertando o quanto a identidade de um povo está sendo transformada para a lógica do consumo e consequentemente á opressão dos povos ditos “minoritários” e na diversidade de sua autonomia para preservar a génese da sua própria história.

 

 

 

É preciso estar sempre alerta para não sermos cooptados e temos que estar sempre vivendo  na lógica da fagocitose, onde nossa cultura não seja apropriada por seres estranhos as nossas origens, ao nosso modo de viver e de florescer o mundo,pois florescer o mundo é alimentar a alma daquilo que nos constrói, neste caso a cultura viva de nossos ancestrais.

 

Evolução não significa abrirmos mão dos processos coletivos que fizeram nossas etnias sobreviverem ao colonialismo, a escravidão, a miséria, a fome; evolução significa preservarmos nosso solo, nosso meio ambiente,nossas diferenças, nossas crenças, nosso alimento.

 

Quando não permitimos que os saqueadores de nossa identidade adentrem em nossos processos de criação, de evolução, de conceitos de vida, estamos utilizando através da nossa arte, da nossa história a prática revolucionária de defesa dos nossos povos. 

 

Enquanto nossa arte e cultura for saqueada na forma mais sutil de atuação deste sistema,que é o jogo da sedução, da apropriação dos conhecimentos de nossos ancestrais e transformarem este fundamento em algo rentável que é excludente dos próprios detentores do saber.

 

Um povo sem conhecimento é povo passivo de manobras para que cada vez mais sua cultura seja cada vez mais distanciada do que antes era de todas e todos.

 

Assim, quando se cria um programa coletivo chamado cultura viva, deve-se ter cuidado com as armadilhas que o sistema capitalista nos apronta. Um programa como este deve estar linkado com todas as diversidade de uma forma onde o principal debate não são eventos em si,mas debatermos este sistema que muda a raiz do programa, o debate é sobre classe, pois a quem atende o Programa Cultura Viva? não são as comunidades e estas comunidades estão em suamaioria localizada onde? a maioria destas entidades são de grande porte? 

 

Expandir o programa pela América Latina sem um suporte de dialética profunda de evoluir o mesmo com o conceito de que machismo, sexismo, raça, gênero, etnias e classe é o que fortalece e fundamentaria este programa, diferentemente do programa brasileiro? 

 

Mas como sabemos as armadilhas capitalistas, fazem com que as plataformas sejam construídas com vícios, nasçam enferrujadas, porque o processo da fagocitose se dá ao contrário, é do sistema para nós e não de nós para este tipo de sistema. 

 

Por exemplo, a comissão nacional dos pontos de cultura é composta por trinta e dois GTS dentre eles o GT Gênero, GT LGBTTs  e de Matriz Africana, quando se fala em um destes segmentos, é um desconforto, pois é visível o quanto em sua maioria @s componentes da comissão estão absorvidos pelo sistema capitalista, não se dão conta que a transversalidade e estes GTs são primordiais para a ampliação do programa cultura viva e o quanto a compreensão destas lutas históricas fortaleceria o próprio programa, pois estas bandeiras de luta estão na cultura como a cultura está nelas, mas o sistema teima em abafá-las, em oprimi-las e sem sentir construímos o óbvio,  fortalecemos o sistema. 

 

Enfim, a identidade de um povo está no respeito ás diversidades e na construção coletiva de processos revolucionários, por enquanto o programa cultura viva, não passa de um programa do e para o sistema, enquanto os/as lideranças do fazer cultura comunitária, coletiva não se derem conta, que o machismo, o sexismo, o racismo estão dentro de cada individuo, construindo diariamente em mensagens sublineares do mídia, não passaremos de números positivos ou negativos para os saqueadores de nossa identidade, de nossa Cultura Viva.

 

 

 

Leila Lopes
Jornalista – RP 0010053
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