Igualdade de direitos. Esse é o sentido da Organização das Lésbicas, Bissexuais e Trangêneras Negras,

Marcha LGBT 2011

Em geral, a unidade na luta das mulheres em nossas sociedades não depende apenas da nossa capacidade de superar as desigualdades geradas pela histórica hegemonia masculina, mas exige, também, a superação de ideologias complementares desse sistema de opressão, como é o caso do racismo. O racismo estabelece a inferioridade social dos segmentos negros da população em geral e das mulheres negras em particular, operando ademais como fator de divisão na luta das mulheres pelos privilégios que se instituem para as mulheres brancas. Nessa perspectiva, a luta das mulheres negras contra a opressão de gênero e de raça vem desenhando novos contornos para a ação política feminista e anti-racista, enriquecendo tanto a discussão da questão racial, como a questão de gênero na sociedade brasileira.

(Carneiro, Sueli – Enegrecer o feminismo: A situação da Mulher Negra na América Latina a partir de uma nova perspectiva de gênero-Durban 2001).

Através deste novo olhar feminista e anti – Racista, citando Sueli Carneiro, é que nós lésbicas, bissexuais e transgêneros negras devemos nos aprofundar nos debates que dizem respeito à invisibilidade da Mulher Lésbica, se as lésbicas brancas sofrem de preconceito e da opressão da heteronormatividade, as muitas não sofreram pela sua cor da pele e das desigualdades sociais.

Nós lésbicas Negras sofremos direta e indiretamente nos movimentos seja o feminista e negro pela nossa orientação sexual; enquanto as mulheres negras avançam para o enegrecimento do movimento feminista de uma forma mais ampla, as lésbicas negras participam fraccionalmente das lutas da negritude, cria-se um biombo ou a lésbicas, bissexual ou transgêneras negra não assume sua identidade sexual, e esta é vista e aceita enquanto uma liderança de maior relevância e as assumidas têm de se colocar firmes e fortes no dia a dia do processo da luta Anti-racismo, pelo preconceito encontrado também no interior do movimento de combate ao racismo; Ora, se o Movimento Negro que luta contra a discriminação racial e se identifica também com a luta de classe e por reparações porém não consegue debater abertamente a questão da homossexualidade como os demais movimentos sociais, então como são tratadas nossas especificidades enquanto lésbicas, bissexuais e trangêneras negras?

Uma das causas identificadas neste momento é a falta de uma articulação interna das LBT negras.

1[1]. Nesse contexto, quais seriam os novos conteúdos que as mulheres negras poderiam aportar à cena política para além do” toque de cor “nas propostas de gênero?”

Não quero aqui colocar que o movimento feminista não está aberto a nossa causa, até porque a luta das feministas negras vem abrindo um leque de conquistas. E o movimento lésbico brasileiro até que ponto debate seriamente a questão do racismo, até que ponto nós LBT negras não estamos servindo de trampolim para a classe dominante? Se formos contar o numero de LBT negras, lideranças do movimento LGT, não passamos de uma dúzia assumidas, visibilizadas e empoderadas nos espaços de decisões do movimento, perante os movimentos sociais e ainda “muitas de poucas de nós”, não conseguem trabalhar articuladamente enquanto LBT negras para avançar nos debates internos do movimento lésbico e feminista, tão pouco para o movimento negro, quiçá nos movimentos sociais. Temos muito que conquistar no âmbito do movimento negro, pois sofremos a discriminação étnico-racial, mas para que esta luta torne-se viável de debates teóricos e práticos necessitamos livrarmo-nos dos egos constituídos pela nossa história no movimento de lésbicas e partirmos para uma unificação onde momentos de articulação fazem-se necessários para conquistarmos respeito e principalmente reinvidicarmos a necessidade de algo maior que uma oficina no canto das conferências, seminários…Mas, sim nossas especificidades serem apontadas como bandeiras de luta e conquistarmos o direito de sermos Lésbicas e Bissexuais sem medo de críticas e retaliações veladas no interior do movimento negro.

 A organização desta rede se constrói da forma coletiva, contemplado diferentes perfis de LBT e as particularidades de cada região, apontando para uma organização heterogênea, mas que mantenha sua autonomia enquanto Lésbicas Bissexuais e transexuais feministas.

Existem várias ações positivas sendo desenvolvidas, oriundas de diferentes setores e lideranças sociais. As Lésbicas, Bissexuais e Transexuais afrodescendentes, mesmo inclusas nestes processos, muitas vezes atuam como coadjuvantes. Acreditamos que enquanto Redes LBT organizadas temos a possibilidade de construir um plano de metas para o Movimento LBT de negras com uma plataforma baseada na igualdade de direitos, no campo da reforma política e que reflitam na proposição de políticas públicas alinhadas ao Pacto Nacional de Combate a Extrema Pobreza; metas que nos possibilitem o papel norteadoras desta política transversalizada, anti sexista e racista, que também nos permita tratar de nossas questões e contribuir neste novo panorama social no contexto étnico/racial nos movimentos LGBT, Feministas e sociais.

Ser negro sem ser somente negro, ser mulher sem ser somente mulher, ser mulher negra sem ser somente mulher negra. Alcançar a igualdade de direitos é converter-se em um ser humano pleno e cheio de possibilidades e oportunidades para além de sua condição de raça e de gênero. Esse é o sentido dessa luta.

Leila Lopes

Setembro 2008

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